Você não precisa estudar para aprender tarot

   Vejo muitas pessoas preocupadas em comprar livros e ler sobre cada arcano, mas a verdade é que tudo isso é inútil. Após 30 anos de prática, posso te falar com toda a certeza que o que você menos precisa são livros. O mais importante é olhar para a própria carta e ver o que já está ali. As cartas já trazem tudo nelas mesmas.


   Claro que é preciso estudar os elementos, a simbologia e os arquétipos continuamente. Mas você não deve se prender ao significado que alguém deu sobre isso quando a própria imagem te mostra o que é.

   Por exemplo: olhe para a carta do Dois de Paus. Você vê um homem no topo de um castelo, segurando o mundo na palma da mão enquanto olha para o horizonte. Você não precisa ler um manual para entender o que está acontecendo: ele já conquistou um espaço, mas está planejando o próximo passo, observando o que vem além. O fato, a ambição e a espera estão desenhados ali. A imagem não precisa de tradução, ela se basta.


   Você Não Precisa Estudar Para Aprender Tarot: O Que Você Precisa É Aprender a Enxergar.

   Se você chegou até aqui, é muito provável que sua mesa esteja cheia de manuais, que seu histórico de compras tenha dezenas de livros sobre os arcanos e que você passe noites tentando decorar o significado de cada uma das 78 cartas.

   Eu vejo esse cenário se repetir todos os dias. Pessoas inteligentes, dedicadas e apaixonadas pelo Tarot, mas que travam completamente na hora de abrir um jogo porque sentem que ainda não leram o livro "X", o autor "Y" ou a enciclopédia "Z".

  Eu cheguei a publicar alguns livros: Tarot Sem Enrolação - Arcanos Maiores e Tarot Sem Enrolação - O Naipe de Espadas.   Mas decidi falar sobre iso aqui, eu quero te poupar de anos de frustração e te dizer uma verdade nua e crua: tudo isso é inútil.

  Após 30 anos de prática diária, atendendo e observando as cartas ganharem vida na mesa, posso te falar com toda a certeza do mundo: o que você menos precisa para ler Tarot são livros. O Tarot não é um teste de memória. O Tarot não é uma prova de faculdade onde ganha quem decorou mais parágrafos. Eu não quero que você fique presa ao que eu te mostro nos livros, eu quero que você veja com seus próprios olhos.

  O Tarot é uma linguagem visual. E o mais importante de tudo - o verdadeiro segredo que ninguém te conta - é simplesmente olhar para a própria carta e ver o que ela te comunica.

  Eu posso te ajudar com isso em sessões de mentoria. E aqui mesmo neste espaço, com meus textos. Ou até com meus ebooks. Mas eu não quero que você se prenda ao que te digo. repito: As cartas não são códigos misteriosos que precisam de uma chave externa para serem abertos. As cartas já trazem tudo nelas mesmas. O fato está desenhado ali. A situação real, o comportamento humano, o obstáculo e a saída estão impressos na imagem. O seu único papel é parar de olhar para o manual e começar a olhar para o cenário. Eu quero apenas, te ajudar a enxergar.

O perigo de se prender ao livro de outra pessoa

  Claro que existe uma base. É preciso, sim, estudar os elementos, a simbologia e os arquétipos continuamente. Esse é um estudo que enriquece a sua bagagem cultural e amplia o seu repertório visual. No entanto, existe uma linha muito clara entre usar a simbologia para entender o mundo e se tornar refém do significado que alguém deu sobre aquilo.
Quando você se prende rigidamente à definição de um autor, você fica cego para o que está acontecendo na sua frente. Você tenta encaixar a vida real do seu consulente dentro de um textinho de três linhas que foi escrito décadas atrás. Você ignora o fato bruto que o desenho está mostrando porque o livro disse que aquela carta deveria significar outra coisa.
As imagens são soberanas. Elas gritam a realidade se você se permitir apenas observar a cena como ela é.

  Olhe para a imagem: o fato não precisa de tradução

  Para você entender o que estou falando, vamos sair da teoria e ir direto para a prática.  
  
  Esqueça os manuais por um minuto e faça um exercício de pura observação comigo.

  Exemplo 1: O Cinco de Ouros

  Se você abrir um livro tradicional de Tarot, vai ler que o Cinco de Ouros significa "perda financeira, escassez ou crise material". Mas você realmente precisa de um livro para te dizer isso? Olhe para a carta. O que está desenhado ali? Duas pessoas machucadas, com roupas visivelmente rasgadas e gastas, caminhando descalças na neve sob um frio rigoroso. O cenário inteiro transborda desamparo e dificuldade material. Você não precisa traduzir nada, o fato bruto da escassez já está exposto visualmente. A imagem se basta.

   Exemplo 2: O Oito de Espadas

  Esse é o maior exemplo de como os livros confundem e a imagem liberta. A maioria dos manuais define essa carta como "prisão mental, crise ou isolamento". Agora, feche o livro e olhe para o que está na carta. Você vê uma figura vendada e amarrada, cercada por oito espadas fincadas no chão. Mas se você olhar os detalhes do cenário com atenção milimétrica, vai perceber que a lama sob os pés dela é rasa, as amarras ao redor do corpo estão frouxas e não existe absolutamente nenhum guarda ou vigilante por perto. O que a imagem está te mostrando factualmente? Que a pessoa está presa apenas pela sua própria passividade. O caminho para sair dali está completamente livre, basta ela dar um passo. O livro te dá um conceito abstrato; a imagem te dá a mecânica exata da situação.

   Exemplo 3: O Dois de Paus

   Muitos estudantes travam aqui porque os livros trazem significados vagos como "planejamento ou hesitação". Mas olhe para a cena que a carta traz nela mesma. Um homem está no topo de um lugar seguro, segurando o mundo na palma da mão esquerda enquanto olha fixamente para o horizonte distante. O que está acontecendo ali? O fato desenhado é: ele já conquistou uma posição de poder, ele já tem estabilidade (os muros e o mundo na mão), mas a sua atenção não está no que ele já tem. Ele está planejando o próximo passo, observando o que vem além das suas fronteiras. A ambição e a espera estão desenhadas no corpo dele.

   O Método de Enxergar

   Aprender Tarot não é sobre colocar mais conteúdo na sua cabeça até você se sentir sobrecarregado. É sobre limpar o excesso de barulho teórico para conseguir enxergar o óbvio. Quando você desenvolve esse olhar factual, o Tarot deixa de ser um peso e se torna um espelho fluido e imediato da realidade. Você passa a ler com a segurança de quem não está tentando adivinhar ou lembrar de uma página lida, mas de quem está relatando o fato que está desenhado bem diante dos seus olhos. Tudo o que você precisa já está na mesa. Você só precisa aprender a ver.
   É exatamente isso que eu quero te ensinar: a enxergar, e não o significado das cartas de Tarot. Existe uma diferença real e profunda aqui que a maioria dos cursos ignora.

   Aprender o "significado" de uma carta é um processo morto. É você pegar um papel em branco, ler que a carta X significa "y", e tentar forçar essa palavra na vida de alguém. Quando você estuda apenas o significado, você se torna um repetidor de conceitos alheios. Você vira as costas para a realidade do jogo e fica preso dentro da sua própria cabeça, tentando lembrar o que o autor quis dizer.

   Aprender a enxergar é um processo vivo. É olhar para a cena e decodificar a mecânica do que está acontecendo ali. Eu não vou te dar uma lista de palavras-chave para você memorizar. Eu vou treinar os seus olhos para notar a postura do personagem, o cenário ao fundo, o chão onde ele pisa, a direção para onde ele olha e a dinâmica das forças que já estão desenhadas ali. Isso te ajuda não apenas a ser uma taróloga, isso te ajuda na vida.

   O significado te limita, a cena te liberta

   Quando você decora um significado, você tem apenas uma resposta pronta. Mas quando você aprende a enxergar a cena, você tem o contexto inteiro.  Quem decora o significado olha para o Dez de Espadas e diz apenas: "Isso significa fim, destruição ou traição". É um termo genérico, frio e muitas vezes assustador que não ajuda em nada.  Quem aprende a enxergar olha para a mesma carta e vê o fato bruto: um corpo estendido no chão, cravado por dez espadas nas costas, sob um céu completamente preto. Mas também enxerga o horizonte ao fundo, onde o sol já está começando a nascer em um tom amarelo e limpo. A pessoa aprende a ler a mecânica real da cena: a dor já atingiu o seu limite máximo (não há espaço para mais nenhuma espada), a escuridão da noite acabou e a luz inevitavelmente está voltando. O desenho te mostra o fim, mas também te mostra o início exato do que vem depois. O fato completo está ali, explícito.

   Passar 30 anos jogando Tarot me mostrou que as cartas são um espelho cristalino da vida real. E na vida real, nós não vivemos baseados em conceitos abstratos de livros; nós vivemos situações concretas, cenários, escolhas e caminhos.


   Se você quer parar de ser um eterno estudante inseguro de Tarot, refém de manuais e anotações, você precisa mudar a sua chave. O seu objetivo a partir de hoje não é descobrir o que a carta significa no livro de fulano ou beltrano. O seu objetivo é abrir os olhos e relatar o fato que a imagem já está jogando na sua cara.

   Eu passei as últimas três décadas refinando esse olhar prático, direto e factual. E é esse método de leitura visual que vai te dar a segurança definitiva para abrir qualquer jogo, para qualquer pessoa, com a certeza de quem não está adivinhando nada - está apenas descrevendo o que está vendo.

  Continue acompanhando o site, interaja, deixe suas sugestões para os próximos textos, e quando se sentir pronta, agende sua mentoria.

  Com carinho, Renatha Shen

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